Destaques dos Discursos de Pedro Bruno

Destaques dos Discursos de Pedro Bruno

Nesta página você encontra o que Pedro Bruno falou sobre diversos aspectos.

É o resgate vivo de sua palavra.

PEDRO BRUNO EXPLICA SUA INTENÇÃO AO PINTAR O CÉLEBRE QUADRO "PÁTRIA"

...Um poema comovido à mulher brasileira.

"Eu quis cantar um hino às mães do Brasil; quis prosternar-me aos pés de todas as mães desta terra, cujo leite fecundo é a seiva divina que, alimentando vidas, cria povos construindo pátrias.

Bendita sejas, bandeira, que depois de inspirar essa modesta obra aqui me trouxeste, a essa oficina gloriosa, onde três mil corações pulsam uníssonos pelo Brasil; onde se retempera Paço para novas arrancadas.

Nesta oficina, onde forja-se o caráter puro, cônscio do dever cumprido, senhores de uma disciplina construtiva de força e de coragem.

Eu me sinto feliz de estar entre vós. Ao artista é dado a faculdade de estar onde estão suas obras.

Ninguém se sente mais honrado e feliz do que eu, entre as sentinelas valorosas de minha terra. "

- Sobre a Liga Artística de Paquetá -

- A Liga Artística de Paquetá não morrerá porque quem cria não morre - quem deixa fica além de seu tempo.

- Paquetá não permitirá nunca que se mutile e se destrua o que ela constrói tão comovidamente.

- Paquetá se ornamentará de novas vestes, por dar guarida a idéia original de escrever em arcabouços de ferro em argamassa de cimento os feitos da história, a lenda e os fatos do grande povo que filhos do sol viviam deslumbrados eternos enamorados da liberdade.

- Nesse ano a Liga plantou Flamboyants e Acácias róseas na Praia José Bonifácio, árvores essas que estão florindo agora, cujos Flamboyants flamejantes ao sol parecem que neles palpita todo o sangue desta população e nas róseas flores das acácias, todo o sorriso da mulher paquetaense.

- A Liga Artística de Paquetá é uma árvore que fecundou, cresceu e vive e não deseja ter em redor de si senão esse enxame de pássaros que semeiam e fecundam o solo. Os pássaros somos nós e cada pedra que pomos é sempre o início de uma construção nova e um novo motivo para nosso orgulho, por haver feito alguma coisa de belo que ficará no acervo de nossos atos, como um legado que daremos aos nossos filhos, de deixar sobre a terra alguma coisa de útil e de alto.

Sobre o Sentimento do Civismo Paquetaense

 Vamos! Congreguem-se em torno desta bandeira, façam dela um sacrário e uma cruz. Façam dela a expressão da vontade e da esperança. Levantai no alto o trapo azul e branco de nossa bandeira, seja ela símbolo de paz entre vós, seja ela as fanfarras da vitória.

- Cada criança, cada homem, por mais humilde que seja, tem o direito de protestar, de prender mesmo o vândalo que tentar destruí-las. (as belezas naturais da Ilha ).

- Nada de atritos pessoais; sobre as paixões humanas deve pairar o espírito superior que, senhor de seu compromisso, cumpre sua promessa tomada à sombra buliçosa de uma bandeira desfraldada.

- Gente de Paquetá, a Liga Artística de Paquetá conta convosco. Avante!

Sobre a Ilha de Paquetá

... Deus ao findar seu exaustivo labor na construção do Guanapará, formoso notou que no meio de tantas ilhotas pequeninas, faltava uma que não fosse tão grande como sua irmã maior. Nem tão pequena como suas irmãzinhas. Então ( artífice divino ) tirou de seu saco miraculoso uma pequena jóia, engastou nela toda a pedraria que lhe sobrava, embebeu-a de essências e luares, deu-lhe a virtude de fazer sonhar como o suco de jurema, salpicou seus contornos pelos ramos de saudades e no retoque final fechou no âmago dessa jóia uma porção de amores e deixou cobrir sobre as águas a linda Paquetá, toda branca de praias, refulgente de verde, sonhadora e amorosa, embalada nos cânticos das ondas, adormecida na dolência dos luares e serenatas.

- Os Tamoios foram seus primeiros habitantes - aqui viviam felizes da pesca e da caça na mansão destas enseadas tranqüilas. E, se não fosse a cobiça do estrangeiro branco por muitos séculos continuariam ainda na paz do Senhor as tribos do pai de Ahy, irmão de Cunhambebe - Chefe feroz da estirpe tamoia.

- Quando absorto contemplo as águas da nossa baía, a magia de seu encantamento vai pouco a pouco despertando-me fantasias. Parece-me que vejo algo de inebriante que transforma os sonhos em apoteose de cores e de luzes.

- Minha linda terra. Terra dos Tamoios, filigrana de sonhos de névoas e saudades, exultai!

- Ilha dos Amores, enebriada de luares, musicada de beijos e serenatas, cantai!

- A Serra dos Órgãos parecia tirar uma suave Ave-Maria para Deus, tal estava delineada no violáceo pulvísculo dessa tarde que parecia um sonho. A sombra do Dedo de Deus vinha morrer na fronteira das maretas preguiçosas. O mar sonhador recebia na epiderme fluida de seu corpo todas as maravilhas coloridas que lhe mandava o céu luminoso.

- Escurecia! Lá pelos lados de Itaóca, a lua vermelha subia tranqüila, a noite se vestia de estrelas para a pompa nupcial do luar amoroso e sonhador. Nas noites de luar, quando saiam para as plangentes serenatas, ninguém dormia. As notas dolentes de saudades enchiam de soluços toda tranqüila beatitude desta Ilha.

- Nessas noites Paquetá parecia imenso órgão em surdina a despertar a alma dos namorados acordando nos corações dos velhos as saudades adormecidas de tanto tempo; a magia da clarineta de Anacleto era um filtro de mel embriagador.

- Eu tenho a impressão que nestas lindas tardes douradas de julho, entre o ouro pulverizado e o azul fluido do céu, uma harmonia suave e mística se envolve e se dilui, é o Canto do Senhor nos átomos e no éter.

- Que maravilha! Que fusão, a Natureza se enflora cantando aos nossos olhos e a missão de Deus cantando a nossa alma.

Sobre os Artistas

- Se na terra, - onde eles passam incompreendidos dentro de um sonho criador, eles não encontram as recompensas morais de seus sacrifícios, ao menos depois de mortos, sejam lembrados para que os vivos redimam o pecado da indife-rença para com os semeadores de belezas e de encantos espirituais.

- A mim, que sou pintor, o destino me deu o poder de cantar nas sete cores da palheta a impressão de um momento, transpondo na tela o que a natureza me oferece.

- Ao artista é dado a faculdade de estar onde estão suas obras.

Sobre os Pássaros

- O pássaro é o poeta divino que se enfeita de penas e de cores para cantar; mais do Olimpo e mais longe da terra ingrata.

- As gaivotas em turbilhão esvoaçavam pelo ar morno e dourado.

- Abençoada seja a tua mão que alimenta os músicos do céu, cuja recompensa lírica é um desfiar de notas cristalinas por sobre tua cabeça .

- O poeta se transformou em pássaro para cantar mais alto e cantar melhor. Emplumou o pensamento criador, revelando a música

dos sons na divina cadência do verbo e no esplendor da forma.

- O que é o pássaro, senão o poeta das árvores e das madrugadas, um cantador emérito dos mistérios das penumbras verdes, voz harmoniosa das matas fecundas?

- Na garganta de um pássaro que canta há sempre o espírito imortal de um poeta.

- Pássaros de minha Ilha: ouço no teu canto a voz dos poetas do meu Brasil.

- Será Paquetá a primeira no Brasil a render delicado preito de respeito e de sentida gratidão aos primeiros e verdadeiros filhos da região de Pindorama.

- Foi a primeira festa no Brasil, marcando um acontecimento memorável, tornando esta ilha a pioneira de idéias cheias de poesia e encantamento - assim como a Festa da Árvore partiu de Paquetá em 1903 a Festa dos Pássaros também nesta ilha pela primeira vez foi organizada com grande brilho a 13 de maio de 1927 .

Sobre Pescadores e as Canoas

- Pescadores desta ilha dos poetas e dos namorados. Vós sois a vida a alma, o espírito destas praias macias.

- Noivos de muitos séculos a beijar os lábios fluídos deste mar apaixonado murmurando a promessa de milênios. Beijos de amor, enlevo de sonhos, caricias de mar manso, arpejos de maretas murmurantes, todo esse divino encanto, vossos olhos fitam, vossos ouvidos ouvem, vossas almas sentem.

- Vida estranha a vossa de pescadores! E ela pende entre um poema de luzes e luares e a epopéia trágica de um destino.

- As velas dessas canoas me parecem impávidas asas muito brancas à espera das carícias dos ventos que vem de muito longe. Velhas canoas!

- Espírito da Mata- Senhor da Floresta - procura a árvore eleita, a maior e melhor de tuas matas - abate-a - embora haja um longo choro na floresta pela maravilha abatida - corta-lhe os galhos, deixa-lhe o tronco nu - queima-lhe o cerne, construa a canoa veloz. - Deus do infinito não se zangará e nem os poetas da natureza se lamentarão, porque o colosso verde - vivo é o orgulho da floresta toda - e morto será a canoa que se transformará em pão de cada dia, o sustento do lar - a herança de uma grande prole e a esperança de um grande país.

Conceitos de Vida

- Creio na imortalidade da alma, por isso eu sinto que paira no ar o espírito dos homens em redor das coisas. Há alguma coisa de sobrenatural neste ambiente, é a vontade dos homens enaltecendo a obra dos imortais.

- Não se sabe se essa vida é mais bela em horas que a natureza vibra e palpita nas cores de uma linda manhã azul de primavera ou torna-se mais trágica e humana nos perigos dos sudoestes empolgantes.

- Não há mocidade digna de seus destinos senão quando vem de uma estirpe honesta, criadora de uma prole boa.

- É sempre um bem para a alma fazer justiça.

- É sempre consolador acordar para Deus.

Sobre a Terceira Idade

- Quem ao declinar a curva da existência sabe transformar a dureza da velhice em exemplos e renúncias, escrevendo uma página soberba de bondade e de beleza, quem com sua bondade espalha asas e semeia orquestras pelas frondes, pelo espaço e em redor de si senhores bem merece o consolo da nossa admiração e os calorosos aplausos da nossa grande homenagem.

- Amparando a velhice de vossos companheiros os vossos braços tornam-se mais fortes, vossa alma mais rija, vossa vida se tornará mais bela, vosso trabalho mais fecundo.

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