\n'; document.write(barra); } } changePage();
José Bonifácio de Andrada e Silva
O Patriarca da Independência
(1763-1838)

A Casa do Patriarca da Independência
Residência na Ilha de Paquetá onde morou José Bonifácio de Andrada e silva
Infelizmente não há registros históricos sobre José Bonifácio na Ilha de Paquetá, além da lacônica referência que durante seu período de exílio, escolheu viver em nossa Ilha. A casa onde residiu existe até hoje, a conhecida Casa do Patriarca, localizada na então Praia do Oeste, depois Praia da Guarda, devido a que ali se encontrava a "Guarda" que garantia sua segurança. Atualmente chama-se Praia José Bonifácio.
Até o presente não localizamos quaisquer referências a respeito de sua vida em Paquetá, pessoas com quem se relacionava, do que gostava, onde preferia passear, nada disso ficou registrado, infelizmente. A única certeza é que amou Paquetá a tal ponto que a elegeu como seu refúgio de paz. Embora faltem comprovações históricas, podemos imaginar que certamente recebia em sua casa, em Paquetá, simpatizantes políticos que vinham em busca de seu aconselhamento, pois, apesar de encontrar-se em situação de exilado, José Bonifácio não perdera seu brilhantismo, uma vez que era o Primeiro Ministro do Império. Entretanto, fiquemos com o que é verdade histórica:
"José Bonifácio de Andrada e Silva nasce em 1763, em uma das famílias mais ricas de Santos, São Paulo, e muito jovem vai estudar em Coimbra. Permanece na Europa por 36 anos. Em Lisboa, destaca-se como naturalista, geólogo e metalurgista.
Funda a primeira cátedra de metalurgia lusitana e torna-se intendente geral das minas de Portugal. Volta ao Brasil em 1819 e, já com grande prestígio, lidera a bancada brasileira nas Cortes Constitucionais, em Lisboa. Inicialmente não revela intenções separatistas e procura apenas preservar as vantagens conquistadas pelo Brasil desde 1808.
Com a inflexibilidade das Cortes, transforma-se em ardoroso defensor da independência. É um dos políticos mais importantes do Império, com grande influência junto a Dom Pedro I (do qual era tutor). Adversário do absolutismo, defende uma monarquia constitucional, mesclando posições liberais e conservadoras: "Nunca fui nem serei realista puro, mas nem por isso me alistarei jamais debaixo das esfarrapadas bandeiras da suja e caótica democracia", afirma em discurso na Assembléia Constituinte.
Certo é que morava na Ilha de Paquetá em 1831, pois foi neste ano que D.Pedro I, abdicou do trono em favor de seu filho Pedro II, então com 5 anos de idade. Certo também é que por ocasião da Abdicação de D. Pedro I, este, reconhecendo em José Bonifácio méritos bastantes, solicitou-lhe que fosse tutor de seu filho, o futuro Imperador D. Pedro II. (Pode-se assim imaginar que o Príncipe, quando menino, gostasse de passar tempos na casa de seu tutor, em Paquetá. Mas isto a história não registrou...).
O texto abaixo colhemos do livro O Solar Del Rey de Augusto Maurício, pg. 77:
" Pedro I, já a bordo da nau inglesa Warspite, dirige ao seu ministro de outros tempos o seguinte apelo:
Amicus certus in re incerta cénitur (os bons amigos se conhecem na hora da adversidade) É chegada a ocasião de me dar mais uma prova de amizade, tomando conta da educação de meu muito amado e prezado filho, seu imperador. Eu delego em tão patriótico cidadão a tutoria de meu querido filho e espero que educando-o naqueles sentimentos de honra e de patriotismo em que devem ser educados todos os soberanos para serem dignos de reinar, ele venha um dia a fazer a fortuna do Brasil, de quem me retiro saudoso. Eu espero que me faça este obséquio; acreditando que a não m’o fazer eu viverei sempre atormentado.
Seu amigo constante - Pedro. Bordo da nau inglesa, surta neste porto do Rio de Janeiro, 7 de abril de 1831.
Esta carta foi entregue ao velho Andrada em Paquetá pelo Vice-Consul da França, Henri Casotte, que, para atender ao pedido de D.Pedro I, fizera em pequeno bote o trajeto entre a Warpite e a Ilha.
Esta foi a resposta de José Bonifácio a D. Pedro I:
Senhor:
A carta de Vossa Majestade veio servir de um pequeno lenitivo ao meu aflito coração; pois vejo que apesar de tudo, Vossa Majestade ainda confia na minha honra e pequenos talentos para cuidar na tutoria e educação de seu Agusto filho o Senhor D. Pedro II. Se eu não puder obter a confirmação da Regência e Câmaras, ao menos como cidadão particular não deixarei um só momento de vigiar sobre sua futura felicidade e aproveitamento por todos os meios que me forem possíveis enquanto durar este sopro de vida que me anima. Confie Vossa Majestade em mim, que nunca enganei a ninguém e nunca soube desamar a quem uma vez amei. Rogo a Vossa Majestade me ponha aos pés das Augustíssimas Senhoras Imperatriz e Rainha de Portugal, por quem rogo ao Deus do Universo do fundo da minha alma se digne felicitá-las em todo o tempo e circunstância desta nossa miserável vida. Iguais votos encaminha aos céus o meu sincero coração pelo soberano, que foi a minha escolha, e pelo meu Amigo. Beijo as mãos de Vossa Majestade.
José Bonifácio de Andrada e Silva - Paquetá, 8 de abril de 1831."
Neste ponto, Augusto Maurício faz a seguinte referência: "Este documento não era conhecido, pois fora entregue em mão de D.Pedro, já de saída para a Europa. Tem portanto a primazia da publicação. O original encontra-se no Museu Imperial de Petrópolis e pertencia ao Conde D’Eu, doado aquele Museu pela Família Imperial em 1947. "
José Bonifácio permaneceu em Paquetá até 1838, quando contava com 74 anos. Vitimado por séria enfermidade, os médicos aconselharam sua remoção para um lugar onde pudesse receber maior assistência. Levaram-no para Niterói, onde veio a falecer a 5 de abril do mesmo ano.
A Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá, em honra ao Patriarca da Independência do Brasil, tem-no como patrono da Cadeira nº 39.