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Pedro Bruno - o poeta da cor, das árvores e dos pássaros.
Material Inédito em toda a web!
Discursos e Fotos Raras

INTRODUÇÃO
Nesta parte especialmente dedicada a Pedro Bruno, procurei ressaltar aspectos ainda não conhecidos do público. Suas fotos em diversas épocas e destaques dos discursos proferidos em diversos eventos. Nestes, podemos admirar seu brilhantismo como orador e, em frases inteiras cheias de belas imagens, entrever a grandeza do seu espírito. O objetivo é revelar o aspecto transcendental da Obra de Pedro Bruno, através de seus Discursos resgatando assim a palavra deste que foi o maior de todos os paquetaenses e que tanto bem fez pela Ilha de Paquetá.
Trata-se de material até agora inédito e desconhecido do grande público, cuja bondade dos filhos de Pedro Bruno, Magda, Lia e Hélio, permitiram ao autor publicar este site.
No Discurso da Inauguração do Parque dos Tamoios, ocasião também em que foi inaugurado o busto do Maestro Carlos Gomes, Pedro Bruno homenageia-o com a mais linda descrição de O Guarany. Ainda em honra ao insigne Maestro, por ocasião da Inauguração da Sala Carlos Gomes, realizada num clube que infelizmente não consta o nome, mas que pensamos ter sido na Sociedade Recreio Musical de Paquetá, Pedro Bruno descreve a personalidade do Ilustre Compositor e por ocasião da visita que fez à Ilha de Paquetá, seu encontro com o Maestro Anacleto.
No Discurso sobre a Ilha de Paquetá Pedro Bruno revela sua concepção da Criação Divina da ilha. São palavras de um imenso bom gosto poético e profundamente inspirantes. Na inauguração das Praias de Iracema e Moema, Pedro Bruno revela o porque da escolha dos nomes. No Relatório aos Sócios da Liga Artística, dentre muitas revelações inéditas, encontramos o nome de seus fundadores e o porque da escolha de Flamboyants e Acácias Rosas para a arborização de Paquetá. Finalmente, Pedro Bruno explica à posteridade sua intenção quando pintou o célebre quadro Pátria.
É material de valor histórico, pois através das mensagens ali deixadas por Pedro Bruno, a posteridade possa inspirar-se em seus exemplos de vida, amor e zelo pela Ilha de Paquetá.
Esta parte é também dedicada especialmente à juventude paquetaense, para que os Discursos de Pedro Bruno possam servir de inspiração e caminho na elaboração de um porvir melhor para nossa comunidade e ele, vivo através de sua palavra aqui perpetuada, certamente nos diria:"Eu me sinto feliz de estar entre vós. Ao artista é dado a faculdade de estar onde estão suas obras." (Pedro Bruno)
PEDRO BRUNO
Pedro Bruno é um capitulo especial na história dos personagens ilustres da Ilha de Paquetá, pois de todos, foi o seu maior expoente. Em tempo algum, jamais alguém fez tanto bem pelo lugar quanto este eterno benfeitor. Para enriquecer este trabalho, contei com a prestimosa e indispensável colaboração de seus filhos Hélio, Magda e Lia que tiveram a gentileza de receber-me em sua residência da Rua Furquim Werneck e facultar-me acesso às fotos e documentos que, com a devida permissão, publicamos neste trabalho.
Pedro Paulo Bruno, seu nome completo, nasceu na Ilha de Paquetá a 14 de outubro de 1888. Desde menino (com 7 anos de idade) seu brilhante espírito manifestou interesse pelas artes. Gostava de poesia, música e canto lírico, desenho e pintura, escultura, enfim, tudo que era expressão de belo do gênio humano e da Natureza. Dotado de uma sensibilidade artística comparável a dos maiores artistas da história universal, Pedro Bruno também tinha um outro dom que o dignificava: a imensa bondade de seu coração.
Amava tanto a Ilha de Paquetá que a ela dedicou todos os dias de sua vida. Fascinavam-no a natureza exuberante do lugar, suas lendas, suas gentes, seus costumes. Aproveitava todos os momentos para identificar a Mão de Deus quando criou esta Ilha, nos detalhes das flores, no canto dos pássaros, no som das ondas do mar, nas cores da aurora e do crepúsculo, nas matas, nas pedras que circundam a orla paquetaense.
Os pais de Pedro Bruno incentivavam o gênio artístico do filho. Naquela época havia em Paquetá um pintor de nacionalidade italiana cuja maestria na arte de óleo sobre tela o jovem Pedro muito admirava. Castagneto era seu nome. Aproveitando a oportunidade que diariamente o Pintor comparecia ao bar de propriedade de seus pais, Pedro estabeleceu relacionamento com o Pintor e logo oferecia-se para carregar sua paleta, pincéis e cavalete até o lugar onde Castagneto iria pintar e ali ficava a apreciar a técnica da pintura do artista. Logo foi seu discípulo.
Foi com muita emoção que, certo dia, recebeu de presente de seu pai a sua primeira paleta, um jogo de tintas e pincéis e uma tela em branco. Assim, Bruno e Castagneto enchiam cantis com água fresca, levavam merenda e passavam as manhãs a pintar em algum ponto da Ilha.
Assim foi crescendo Pedro Bruno. Como se tivesse sido tocado pelas Musas, queria dar expansão a todo o potencial da genialidade que lhe ebulia na alma, manifestando habilidade para outras artes. Para ele, Paquetá era um Jardim criado por Deus e sentia em si mesmo a missão divina de conservá-lo, embelezá-lo, protegê-lo.
A questão da Preservação Ambiental era por ele tratada com muito mais profundidade do que jamais alguém o fez.Era assunto da mais alta prioridade. Abarcava aspectos não somente no âmbito de florestas e animais, mas também de conservar, aprimorar e enaltecer o ambiente intelectual e artístico do povo paquetaense, como um legado às gerações futuras.
Casou-se com D. Maria Helena Vieira Bruno. O casal teve quatro filhos, Magda, Lia, Hélio e Fábio (este último já falecido) que de seu pai herdaram a imensa bondade do coração e o amor pela Ilha de Paquetá.
Pintor internacionalmente respeitado até o dia de hoje - um de seus famosos quadros, PÁTRIA, figura no verso da nota de duzentos mil cruzeiros do antigo dinheiro brasileiro - deixou-nos mais de 146 obras de pintura de óleo sobre tela.
Paquetá deve a Pedro Bruno as seguintes obras: ( fonte: Marcelo Augusto Limoeiro Cardoso - Paquetá, História das Ruas, pg.140 )
· Planejamento artístico e paisagístico do Cemitério de Paquetá, transformando-o num verdadeiro jardim. Ali plantou uma série de espécimes de plantas nativas e esculpiu diversas esculturas. A Capela do Cemitério também é de sua autoria. Ali deixou dois quadros seus: Jesus Cristo no Calvário e São Francisco de Assis falando aos Pássaros.
· O Cemitério dos Pássaros, belíssimo recanto ajardinado e ornamentado de esculturas, destacando-se a que retrata a tristeza de um pombo, ao lado de sua companheira morta.
· Projeto e execução do Parque dos Tamoios, com seus jardins, caramanchões, vasos indígenas e o monumento a Carlos Gomes.
· Antigo Bebedouro em pedra, no então Largo do Medeiros, hoje Praça Bom Jesus. Ali também, esculpido no muro do Hotel Paquetá, um vaso marajoara.
· O belíssimo caramanchão em frente à Praça Bom Jesus.
· Decoração da Praça e da Capela de São Roque, onde há como painel de fundo do Altar-Mór em enorme quadro de sua autoria representando o Santo Milagroso, com seu cajado de pé, junto ao seu Lendário Poço, tendo ao lado o seu cachorro amigo.
· Peixe de Pedra, colocado em frente à Colônia de Pescadores, na Praia José Bonifácio.
· Inscrições em pedras, com dizeres poéticos e chamadas de conscientização comunitária para a proteção ambiental.
· Erma de Hermes Fontes, na Praia José Bonifácio, em frente à casa onde o poeta morou, na esquina da Rua Manuel de Macedo.
Autor da nomenclatura de algumas ruas da Ilha de Paquetá, como Dr. Aristão,
· Praia Pintor Castagneto, Praia e Parque dos Tamoios.
· Plantio de centenas de árvores, entre as quais os tradicionais Flamboyants vermelhos e acácias rosas, cujos motivos estão expressos num de seus discursos, transcritos neste livro.
· A Praça que leva seu nome, a Praça Pedro Bruno, onde se localiza a Estação das Barcas.
· Muitas outras obras, inclusive os jardins da casa onde morava, na Rua Furquim Werneck.
A Liga Artística de Paquetá da qual era fundador e presidente era formada por um triunvirato composto pelo próprio Pedro Bruno, pelo Comendador Pedro Alambary Luz e pelo imortal Augusto Silva. A Liga chegou a ter 22 sócios e o muito do que até hoje à comunidade paquetaense deve a atuação da Liga, está descrito no discurso de prestação de contas que seu fundador proferiu, provavelmente em 1936.
Pedro Bruno desapareceu fisicamente no dia 2 de fevereiro de 1949. Vive em sua obras e na memória dos paquetaenses eternamente agradecidos.
Certamente chamou-o o Criador para que fosse Seu Assistente na criação de outros belos jardins da existência .
A Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá imortalizou a memória de Pedro Bruno, consagrando-o Patrono da Cadeira 10.
Convido agora o leitor a apreciar os destaques dos discursos de Pedro Bruno.
Destaques dos Discursos de Pedro Bruno
Fotos
Inauguração do Parque dos Tamoios